Campanha julho Amarelo ressalta a importância de prevenir, testar e vacinar para o combate as hepatites virais

Consideradas um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, as hepatites são infecções que atingem o fígado e causam alterações leves, moderadas ou graves. Como em alguns casos, as pessoas podem carregar a hepatite de forma crônica e sem sintomas, a campanha “Julho Amarelo” foi instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019 com a finalidade de reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle da doença. O mês foi escolhido, pois no dia 28 de julho é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.

As hepatites virais mais comuns no Brasil são as do tipo A, B e C. O diagnóstico precoce favorece o início do tratamento, acessível a todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Temos hepatites que são autolimitadas que causam uma infecção, em geral leve, que depois ela melhora, como é o caso da hepatite A. Mas temos os tipos de hepatite B e C que podem ter um quadro agudo, o paciente pode portar a doença crônica e estar há anos sem diagnóstico”, explica o médico infectologista Raphael Elias Farias.

Segundo o especialista que é quem acompanha o tratamento dos urussanguenses portadores da doença, a importância do Julho Amarelo é a chance de poder trabalhar na população as ações de prevenção e controle. “Podemos alertar quanto a doença na comunidade e como sistema de saúde, buscar essas pessoas para que venham ao diagnóstico e, se necessário, façam o tratamento. Temos tratamento de manutenção, ou curativo, como é o caso da hepatite C que tem uma taxa de cura de 95%”, destaca. 

Ele afirma que o diagnóstico precoce é de extrema importância. “Vale lembrar que cada hepatite tem sua forma de contágio, transmissão e tratamento. Esse mês, divulgando e fazendo os testes rápidos nas campanhas, a gente procura fazer o diagnóstico precoce antes de complicações do estágio crônico no paciente”, completa Raphael.

Números e procedimentos em Urussanga

Segundo informações da Secretaria de Saúde de Urussanga, são 121 pacientes notificados e acompanhados por conta da hepatite B e C no município. Quanto ao número de doentes atualmente, na hepatite C não há nenhum caso, enquanto na hepatite do tipo B, seis urussanguenses realizam tratamento crônico da doença. “A medicação é toda oferecida pelo SUS. A cura no caso da hepatite C costuma vir em três meses, mas mesmo após, os pacientes ainda são acompanhados”, explica a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Marilia Marcineiro.

Os testes rápidos para detecção da hepatite B e C, estão disponíveis em todas as unidades de Saúde de Urussanga, e o atendimentos costuma seguir uma ordem:

  • Realização do teste rápido de hepatite
  • Enfermeiro faz a lauda e a consulta de enfermagem
  • Se o resultado for negativo há orientação quanto às medidas de prevenção
  • Se positivo, exames complementares são solicitados e o paciente é encaminhado para vigilância, onde recebe orientações e deve ter solicitado exames de Carga viral.
  • Com o resultado, o mesmo é encaminhado para o infectologista que faz o acompanhamento.

A preocupação é com os casos de pessoas que carregam o vírus, mas ainda não receberam o diagnóstico. “É importante prevenir, fazer os exames para detecção da doença e posterior tratamento. A doença pode evoluir muito tempo sem nenhum sintoma”, lembra Marília.

Atividades no mês de julho

Como forma de disseminar informações sobre as hepatites e conscientizar a população, bem como combater a doença, a Secretaria de Saúde de Urussanga, estará realizando atividades para intensificar as ações de orientação, testagem e vacinação contra as hepatites virais.

No dia 13 de julho, quarta-feira, haverá capacitação para as enfermeiras, com a enfermeira da Gerência Regional de Saúde, Angela Rosso; além de capacitação com as farmacêuticas Gabriella e Simone, sobre medicações para hepatites.

No dia 14 de julho, quinta-feira, uma capacitação será oferecida para as técnicas de enfermagem. A ação será ministrada pelas responsáveis pelos Programas de Hepatites Virais.

No dia 16 de julho, sábado das 8h às 12h haverá testagem e vacinação em todas as unidades de saúde.

“Os testes conseguem identificar as Hepatites B e C; e a vacinação disponível será a da Hepatite B; essas são estratégias efetivas para evitar ou minimizar o risco de adoecimento da população. O diagnóstico rápido das hepatites virais permite o encaminhamento oportuno das pessoas infectadas para o tratamento”, ressalta a Secretária de Saúde, Ingrid Zanellato.

Sobre as hepatites

Conforme informações da Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, a Hepatite A é a que tem o maior número de casos. Está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e de higiene. É uma infecção leve e se cura sozinha.

A Hepatite B é o segundo tipo com maior incidência; atinge maior proporção de transmissão por via sexual e contato sanguíneo. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, associada ao uso do preservativo.

A Hepatite C tem como principal forma de transmissão o contato com sangue. É considerada a maior epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV. A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado.  A doença pode causar cirrose, câncer de fígado e morte. Não tem vacina.


Por Ana Paula Nesi – Assessora de Comunicação PMU